O cato das hemorroidas

10 Abril 2019

capa de folheto da faktu

Os sintomas habituais de hemorroidas são: comichão e inchaço em volta do ânus, vestígios de sangue ao limpar o ânus, dor durante a defecação e vontade de defecar após a defecação.

Contudo, a imagem que a Nycomed escolheu para simbolizar as hemorroidas foi a de um cato sobre o qual nos sentamos.

As imagens de plantas na publicidade são das mais sugestivas, embora, por vezes, difíceis de escolher.

A imagem selecionada para promover a pomada Faktu e apelativa e não deixa qualquer um impávido. Mas não pense que as dores das hemorroidas se assemelham às que sentiria ao sentar-se em cima de um cato.

 

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Polvo com banana

27 Março 2019

anúncio do JN

Não, não é uma receita. O título engana.

No início do séc.XXI, o JN publicitou uma edição sua com um anúncio em que com uma simples casca de banana e 2 feijões representava um polvo.

Uma ideia interessante para as crianças brincarem…

Com plantas podemos exercitar diversas representações mais ou menos jocosas, algumas das quais na decoração de refeições.

 

Uma alcachofra numa conferência europeia

19 Fevereiro 2019

direitos reservados - carlos moedas e o cardo

Ver um comissário da União Europeia numa conferência a apresentar uma alcachofra é uma surpresa para quase toda a gente.

O comissário português Carlos Moedas fez isso recentemente, para referenciar uma inovação que pode trazer ao nosso quotidiano sacos feitos a partir de cardos!

O novo material, biodegradável, poderá substituir o plástico fabricado a partir do petróleo.

Deixámos de utilizar embalagens feitas com materiais vegetais como a cana, o esparto, o vime, a palma, o algodão ou o linho, por exemplo, porque o plástico se impôs nas últimas décadas, como se não tivesse efeitos (muito) nefastos na natureza.

O caos criado faz agora os cientistas esmerarem-se na procura de novos materiais e as plantas voltam a apresentar-se como solução.

 

As árvores e o bom senso

15 Fevereiro 2019

foto joao xavier - abate de casuarinas

Plantar árvores numa cidade não é o mesmo que plantar árvores numa floresta.

Plantar árvores num passeio não é o mesmo que plantar árvores numa zona verde urbana.

A primeira preocupação de quem planta árvores numa cidade deve ser a escolha ponderada das espécies: a altura, o porte, as raízes, a folhagem, os frutos, a resistência…

Os anos passam e as árvores que foram irresponsavelmente plantadas têm de ser arrancadas.

Eu gosto muito de árvores, gostava de até de ter um extenso terreno onde pudesse fazer o meu bosque, mas percebo perfeitamente que o amor às árvores não implica a plantação de árvores em todos os canteiros…

Plantar árvores, como tudo na vida, deve ser um ato de bom senso.

 

Urtiga… urticante… urticária

10 Janeiro 2019

foto joao xavier - urtiga xis.jpg

As plantas influenciam determinantemente o nosso vocabulário, mesmo quando pensamos não estar a falar de plantas.

Quando dizemos que algo nos provocou uma comichão localizada, dizemos que esse material é urticante.

A urtiga é uma planta herbácea da família das urticáceas e, de fácil reprodução, pode facilmente aparecer-nos na horta e nos vasos.

Existe também uma doença chamada «urticária» caracterizada por uma erupção cutânea «e um ardor localizado semelhante ao provocado pelo contacto com a urtiga».

O adjetivo «urticante» e o nome «urticária» derivam da conhecida planta urtiga (os romanos chamavam-lhe «urtïca»).

Esta planta possui na seiva um químico que chega a uns pequenos picos moles que possui nas folhas e, quando tocada por um animal, injeta-o, provocando muita irritação cutânea com forte sensação de comichão.

As urtigas são usadas pelo Homem desde há milhares de anos e atualmente são muito usadas no nosso quotidiano, na fabricação de champôs, no fabrico de tecidos e na alimentação, por exemplo. Contém cálcio, potássio, ferro, vitaminas B, tiamina, riboflavina e niacina.

 

Os europeus e o veneno da batata

24 Dezembro 2018

foto joao xavier - batata xis 135 gramas

Hoje em dia, a batata faz parte dos nossos hábitos alimentares com uma tal força, que é raro o dia em que não as comemos em pelo menos uma refeição.

Mais interessante ainda foi o modo cauteloso como as batatas chegaram à Europa. Já eram consumidas pelos índios americanos, mas eram desconhecidas no velho continente!

Quando cá chegaram, ganharam a fama de venenosas, porque alguns antepassados as cozinhavam com partes verdes.

As partes verdes das batatas são tóxicas para o ser humano por causa dos glicoalcaloides e só depois de os nossos antepassados aprenderem o cuidado imprescindível é que as virtudes dos mais famosos tubérculos cavalgaram nas nossas cozinhas e nos nossos pratos.

O rei francês Luís XVI apreciou tanto as batatas que mandou fazer um batatal e ordenou que a horta fosse guardada por soldados dia e noite.

O «pormenor» passou de boca em boca e fez a populaça invejosa querer experimentar. Do roubo de umas batatinhas se começou a fazer história…

 

Cogumelos outonais

11 Dezembro 2018

foto joao xavier - cogumelo em marmelete

Os cogumelos não são plantas (a botânica antiga dizia que são, mas atualmente os biólogos classificam-nos como fungos). No entanto, a sua proximidade com as plantas é tal, que eu gosto de aqui deixar uns apontamentos sobre aqueles seres.

Uma menina perspicaz perguntou-me um dia destes por que motivo é que nos desenhos dos livros infantis aparecem cogumelos vermelhos e ela só vê no campo cogumelos castanhos e cogumelos brancos.

Os cogumelos vermelhos (com pintas brancas) existem, mas não são realmente abundantes.

Trago hoje a foto de um belo cogumelo que encontrei na Serra de Monchique já no presente outono e acrescento uma confidência: nos cogumelos nunca mexo.

Muitas pessoas que se achavam excelentes peritas na identificação de cogumelos venenosos já morreram envenenadas. Quem intoxica o fígado com cogumelos pensa que sabe do assunto…

 

Bom aroma para uns, mau aroma para outros…

3 Dezembro 2018

foto joao xavier - planta q afasta mosquitos

Os odores exalados pelas plantas sempre foram algo misteriosos para o ser humano, que lhes deu até significados transcendentes.

A mirra e a alfazema, por exemplo, são utilizadas em cerimónias religiosas.

A maior parte das plantas só produz cheiros nas flores, mas há muitas que o fazem nas folhas, pela produção de substâncias voláteis que se libertam ao toque.

Há plantas que produzem odores desagradáveis para alguns animais e não há aí unanimidade: o mesmo odor pode ser agradável para uns e repelente para outros. As formigas detestam o cheiro a alfazema…

Consideramos enjoativo o cheiro dos jarros e dos antúrios, por exemplo, mas muitos insetos sentem-se atraídos por ele.

Há também plantas cujo potencial odorífero podemos utilizar para afastar mosquitos… e outras que podemos plantar para atrair abelhas…

 

 

Quando as flores cheiram mal…

26 Novembro 2018

Foto João Xavier - Estapélia Xis

A polinização das plantas acontece com intervenção do vento ou de animais.

Os perfumes que muitas flores exalam atraem insetos diversos (abelhas, por exemplo), quase sempre à procura de pólen para se alimentarem. É a viagem dos insetos entre variadíssimas flores que transporta o pólen e as fecunda.

À partida, muitos botânicos deduzem que é o perfume agradável que atrai os insetos polinizadores. Mas nem sempre assim acontece.

Não podemos desvalorizar o papel das cores que se destacam na paisagem: também elas atraem insetos.

O caso mais bizarro, contudo, é o das flores que cheiram mal. Cheiram mal… mas não perdem nada com isso, pois o mau cheiro atrai também alguns insetos (moscas, por exemplo).

O odor a bichos mortos ou a fezes não atrai seres humanos, mas atrai insetos que se tornam aliados das plantas que o exalam, na polinização que permite a frutificação e a consequente reprodução.

Para que servem os espinhos

21 Novembro 2018

foto joao xavier - cato xis florido

Uma definição muito infantil aparece geralmente nos livros para justificar a presença de espinhos em algumas plantas: «é uma defesa contra os animais herbívoros».

É verdade que as plantas estão na base da cadeia alimentar. Contudo, os catos têm espinhos para resistirem às grandes temperaturas e não para se defenderem dos ataques dos animais.

A presença de espinhos em outras plantas é apenas uma característica dessas plantas, transmitida geneticamente de geração em geração, nalguns casos por dificultarem os ataques de animais (acontece, por exemplo, nas roseiras e nas silvas). Muitas das plantas preferidas pelos animais, não tendo espinhos, sobrevivem e reproduzem-se com mais facilidade!

O que não devemos dizer é que as plantas criam espinhos para se defenderem. As que criaram espinhos por mutação genética e transmitiram a alteração aos seus descendentes… são apenas um exemplo de como a adaptação ao meio ambiente vai selecionando espécies.

Na vida vegetal como na vida animal, os mais aptos são os que resistem e melhor procriam.