O meu loendro branco

25 Maio 2020

foto joao xavier - loendro xis 2020

As plantas foram os nossos mais fiéis companheiros durante a pandemia. – dizia um dia destes uma jornalista que não consegui identificar.

As nossas plantas são sempre as nossas plantas. São um bocadinho do mundo na nossa passagem pela Terra. Nelas investimos cuidados. Delas retiramos prazeres sensoriais que nos fazem bem à alma.

Há pessoas que fazem blogs sobre plantas mas nunca mostram as suas plantas. Fazem do seu inventário arbóreo e herbário uma espécie de documento secreto.

Eu, de tempos a tempos, gosto de mostrar as minhas plantas. E é um gosto rever os artigos, à medida que os anos passam. O crescimento é lento, mas foge-nos ao arquivo da memória.

Hoje trago aqui o meu loendro branco. Foi plantado pela minha mãe há já umas 4 décadas e resiste a secas com uma reserva periclitante que já me tem feito temer o colapso. Este ano, não gostou do inverno quase sem chuva, mas com as chuvas da primavera recuperou viço e floresceu alegremente como se fosse de novo jovem.

Sentada nua em cima de urtigas

13 Maio 2020

foto joao xavier - urtiga xis

É uma das mais ricas cabeleireiras do Porto, mas não tem enriquecido com as artes capilares.

Gozando a vida à custa do tráfico de droga, pediu à sua empregada doméstica para guardar material a troco de 100 euros. A empregada acedeu, mas disse-lhe três dias mais tarde que tinha perdido o tesouro… e a cabeleireira tratou de com o ex-marido a torturar.

Houve de tudo: pauladas de criar bicho, banhos gelados, faca apontada ao pescoço e… a tortura mais original… obrigaram-na a sentar-se nua em cima de urtigas!

A maldade humana não tem limites.

Um narciso…

23 Fevereiro 2020

foto joao xavier - narciso xis 2020

Com as plantas podemos fazer fotos maravilhosas. Basta concentrarmo-nos em pormenores e cuidar de focar devidamente esses pormenores tentando desfocar o resto.

Foi isso que eu fiz há poucos dias, após diversas tentativas, com a flor amarela de um narciso xis.

É um narciso a sorrir ao inverno primaveril que nos vai brindando com dias de sol…

A morfina

10 Fevereiro 2020

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Entre as plantas mais poderosas a nível farmacêutico, a papoila é uma das mais conhecidas. O que pouca gente sabe é que é com a papoila que se fabrica a morfina, um potente medicamento usado para combater dores insuportáveis, dores pós-operatórias e dores oncológicas.

A morfina é fabricada a partir do ópio da papoila e foi inventada por um investigador autodidata alemão, Friedrich Sertürner, ao ajustar em 1906 o princípio ativo do ópio (chamou-lhe morphium, em homenagem ao deus do sonho). Ensaiou-a em cães, em crianças e em si próprio.

A força da papoila já é conhecida do Homem há pelo menos 5 mil anos e o seu potencial alucinogénio e viciante faz com que o cultivo da variedade Papaver somniferum hoje em dia seja proibido ou desaconselhado.

Consta que num ano são consumidas mais de 230 toneladas de morfina!

O salgueiro analgésico e antipirético

31 Janeiro 2020

foto brigada da floresta - salgueiro branco

Em 1899, entrou no comércio um comprimido que revolucionou o modo como encaramos as dores de cabeça: a aspirina.

O nome científico deste medicamento é «ácido acetilsalicílico».

É mais um produto feito a partir de plantas, no caso concreto o salgueiro branco.

O efeito analgésico e antipirético daquele ácido é apenas o resultado da concentração do ácido salicílico produzido pelo salgueiro.

A maravilha das descobertas humanas, observando e experimentando as plantas, é um dos mistérios da vida. No caso da aspirina, tudo terá começado há mais de 3500 anos, quando os nossos antepassados começaram a mastigar as amargas cascas e folhas de salgueiro, notando que absorvendo o seu suco havia dores que desapareciam…

Felix Hoffman inventou em 1897 a fórmula da aspirina e 2 anos depois o mundo começava a consumir um dos mais conhecidos medicamentos que atualmente existem, com uma vantagem descoberta recentemente: tem efeitos antiagregantes nas plaquetas sanguíneas, diminuindo por isso a formação de trombos.

Agricultura, catapulta civilizacional

30 Janeiro 2020

Foto João Xavier - Feijoeiro xis 2013

O ser humano é omnívoro: por norma, tem uma alimentação variada, com plantas e animais.

As plantas sempre foram o elemento primordial da alimentação humana, sendo a caça um elemento enriquecedor da ementa.

Foi a agricultura o grande pilar civilizacional que facultou aos nossos antepassados o acesso programado e mais próximo às plantas que lhes forneciam elementos nutricionais básicos. Para começar, cereais e leguminosas. Consta, aliás, que em Portugal isso só começou há menos de 8 mil anos.

Depois, o homem soube dar mais utilidades a algumas plantas: como têxteis, como corantes e como curativos. A lenta descoberta experimental das propriedades farmacológicas de algumas plantas deu ascendente aos humanos, para melhorar as condições de vida e a longevidade.

Alimentos americanos na Europa

9 Dezembro 2019

primeiras batatas xis 2019 20fev.JPG

Uma jovem dizia-me há dias que não lhe interessa para nada saber quem descobriu a América nem quando foi descoberta a América, porque isso são coisas que não têm interesse nenhum na nossa vida!…

A ignorância é um dos males da humanidade. A ignorância e a petulância.

Expliquei então à jovem que foi com a descoberta de territórios americanos que chegaram à Europa alimentos como a batata, o tomate e o milho.

«Ah! Não sabia!…»

Nos séculos XVI e XVII, os portugueses e os espanhóis foram carregando para a Europa exemplares de plantas que vieram revolucionar completamente os hábitos alimentares dos europeus e dinamizaram a economia de muitos países.

Hoje em dia, a batata e o milho são alimentos banalizados na gastronomia mundial e os portugueses foram protagonistas dessa realidade.

O saber não ocupa lugar.

Folhas de pinheiro para a criança do Lapedo

13 Novembro 2019

direitos reservados - criança do lapedo.jpg

Perto de Leiria, foi descoberto em 1998 um esqueleto de uma criança de cerca de 5 anos de idade que viveu há 25 mil anos. É a descoberta mais importante do Paleolítico Superior, por apresentar características que são atribuídas ao Homo Sapiens e ao Homo Neanderthalensis.

Essa identificação de miscigenação põe em causa as teorias dominantes sobre a extinção do Homo Neanderthalensis e põe Portugal no roteiro de grandes investigadores.

A referida criança é conhecida como «a criança do Lapedo» e, curiosamente, foi enterrada sobre folhas de pinheiro queimadas (há vestígios de cinzas e de fragmentos de carvão) e sob a perna esquerda foi encontrada uma ramada de pinheiro.

Supõe-se que se tratou de uma purificação da sepultura escavada no solo e é das mais antigas referências de utilização de plantas em rituais, em Portugal.

A lenda do loureiro

8 Novembro 2019

foto joao xavier - loureiro xis.JPG

A carga mitológica do loureiro começou na Antiguidade, quando era a árvore dedicada ao deus Zeus.

Conta a lenda que o deus Apolo se apaixonou pela ninfa Dafne.

Cupido, que era arqueiro (como Apolo), não gostava de ouvir Apolo gabar-se de ter melhor pontaria e resolveu estragar-lhe a vida disparando uma flecha com ponta de ouro contra ele e uma outra, com ponta de chumbo, contra Dafne.

O resultado da pulhice foi que Apolo ficou apaixonado por Dafne, enquanto a ninfa passou a repudiá-lo.

Apolo começou então a perseguir Dafne que, cansada de fugir, pediu ao pai, o rei Peneu, que usasse os seus poderes sobrenaturais… e este transformou-a num loureiro!

Por isso, quando viu um belo loureiro no campo, Apolo beijou-lhe a casca. Para onde quer que fosse, levava desde então umas folhas do loureiro consigo, para ir cheirando…

Consta que ainda hoje o aroma exótico que as folhas de loureiro exalam quando lhes mexemos é o cheiro da ninfa Dafne…

Queime folhas de louro

24 Outubro 2019

direitos reservados - folhas de louro.jpg

Não é por acaso que aos grandes campeões são oferecidas coroas de louros («os louros da vitória»): o loureiro é uma planta carregada de simbologias positivas na vida humana.

Uma particularidade que é atribuída às folhas de louro é a sua capacidade curativa. Por conterem linalol, mirceno, eugenol, cineol, felandreno, pineno e elemicina, entre outras substâncias, as folhas de louro, ao serem queimadas, podem ajudar a combater enxaquecas, stress, estados depressivos e inflamações respiratórias.

Pessoas mais espiritualistas acreditam que essa queima ajuda a afastar maus fluidos e ambientes negativistas.

Os especialistas advertem que não devemos respirar o fumo, obviamente, mas apenas as micropartículas que perfumam a casa após a queima.