Urtiga… urticante… urticária

10 Janeiro 2019

foto joao xavier - urtiga xis.jpg

As plantas influenciam determinantemente o nosso vocabulário, mesmo quando pensamos não estar a falar de plantas.

Quando dizemos que algo nos provocou uma comichão localizada, dizemos que esse material é urticante.

A urtiga é uma planta herbácea da família das urticáceas e, de fácil reprodução, pode facilmente aparecer-nos na horta e nos vasos.

Existe também uma doença chamada «urticária» caracterizada por uma erupção cutânea «e um ardor localizado semelhante ao provocado pelo contacto com a urtiga».

O adjetivo «urticante» e o nome «urticária» derivam da conhecida planta urtiga (os romanos chamavam-lhe «urtïca»).

Esta planta possui na seiva um químico que chega a uns pequenos picos moles que possui nas folhas e, quando tocada por um animal, injeta-o, provocando muita irritação cutânea com forte sensação de comichão.

As urtigas são usadas pelo Homem desde há milhares de anos e atualmente são muito usadas no nosso quotidiano, na fabricação de champôs, no fabrico de tecidos e na alimentação, por exemplo. Contém cálcio, potássio, ferro, vitaminas B, tiamina, riboflavina e niacina.

 

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Os europeus e o veneno da batata

24 Dezembro 2018

foto joao xavier - batata xis 135 gramas

Hoje em dia, a batata faz parte dos nossos hábitos alimentares com uma tal força, que é raro o dia em que não as comemos em pelo menos uma refeição.

Mais interessante ainda foi o modo cauteloso como as batatas chegaram à Europa. Já eram consumidas pelos índios americanos, mas eram desconhecidas no velho continente!

Quando cá chegaram, ganharam a fama de venenosas, porque alguns antepassados as cozinhavam com partes verdes.

As partes verdes das batatas são tóxicas para o ser humano por causa dos glicoalcaloides e só depois de os nossos antepassados aprenderem o cuidado imprescindível é que as virtudes dos mais famosos tubérculos cavalgaram nas nossas cozinhas e nos nossos pratos.

O rei francês Luís XVI apreciou tanto as batatas que mandou fazer um batatal e ordenou que a horta fosse guardada por soldados dia e noite.

O «pormenor» passou de boca em boca e fez a populaça invejosa querer experimentar. Do roubo de umas batatinhas se começou a fazer história…

 

Cogumelos outonais

11 Dezembro 2018

foto joao xavier - cogumelo em marmelete

Os cogumelos não são plantas (a botânica antiga dizia que são, mas atualmente os biólogos classificam-nos como fungos). No entanto, a sua proximidade com as plantas é tal, que eu gosto de aqui deixar uns apontamentos sobre aqueles seres.

Uma menina perspicaz perguntou-me um dia destes por que motivo é que nos desenhos dos livros infantis aparecem cogumelos vermelhos e ela só vê no campo cogumelos castanhos e cogumelos brancos.

Os cogumelos vermelhos (com pintas brancas) existem, mas não são realmente abundantes.

Trago hoje a foto de um belo cogumelo que encontrei na Serra de Monchique já no presente outono e acrescento uma confidência: nos cogumelos nunca mexo.

Muitas pessoas que se achavam excelentes peritas na identificação de cogumelos venenosos já morreram envenenadas. Quem intoxica o fígado com cogumelos pensa que sabe do assunto…

 

Bom aroma para uns, mau aroma para outros…

3 Dezembro 2018

foto joao xavier - planta q afasta mosquitos

Os odores exalados pelas plantas sempre foram algo misteriosos para o ser humano, que lhes deu até significados transcendentes.

A mirra e a alfazema, por exemplo, são utilizadas em cerimónias religiosas.

A maior parte das plantas só produz cheiros nas flores, mas há muitas que o fazem nas folhas, pela produção de substâncias voláteis que se libertam ao toque.

Há plantas que produzem odores desagradáveis para alguns animais e não há aí unanimidade: o mesmo odor pode ser agradável para uns e repelente para outros. As formigas detestam o cheiro a alfazema…

Consideramos enjoativo o cheiro dos jarros e dos antúrios, por exemplo, mas muitos insetos sentem-se atraídos por ele.

Há também plantas cujo potencial odorífero podemos utilizar para afastar mosquitos… e outras que podemos plantar para atrair abelhas…

 

 

Quando as flores cheiram mal…

26 Novembro 2018

Foto João Xavier - Estapélia Xis

A polinização das plantas acontece com intervenção do vento ou de animais.

Os perfumes que muitas flores exalam atraem insetos diversos (abelhas, por exemplo), quase sempre à procura de pólen para se alimentarem. É a viagem dos insetos entre variadíssimas flores que transporta o pólen e as fecunda.

À partida, muitos botânicos deduzem que é o perfume agradável que atrai os insetos polinizadores. Mas nem sempre assim acontece.

Não podemos desvalorizar o papel das cores que se destacam na paisagem: também elas atraem insetos.

O caso mais bizarro, contudo, é o das flores que cheiram mal. Cheiram mal… mas não perdem nada com isso, pois o mau cheiro atrai também alguns insetos (moscas, por exemplo).

O odor a bichos mortos ou a fezes não atrai seres humanos, mas atrai insetos que se tornam aliados das plantas que o exalam, na polinização que permite a frutificação e a consequente reprodução.

Para que servem os espinhos

21 Novembro 2018

foto joao xavier - cato xis florido

Uma definição muito infantil aparece geralmente nos livros para justificar a presença de espinhos em algumas plantas: «é uma defesa contra os animais herbívoros».

É verdade que as plantas estão na base da cadeia alimentar. Contudo, os catos têm espinhos para resistirem às grandes temperaturas e não para se defenderem dos ataques dos animais.

A presença de espinhos em outras plantas é apenas uma característica dessas plantas, transmitida geneticamente de geração em geração, nalguns casos por dificultarem os ataques de animais (acontece, por exemplo, nas roseiras e nas silvas). Muitas das plantas preferidas pelos animais, não tendo espinhos, sobrevivem e reproduzem-se com mais facilidade!

O que não devemos dizer é que as plantas criam espinhos para se defenderem. As que criaram espinhos por mutação genética e transmitiram a alteração aos seus descendentes… são apenas um exemplo de como a adaptação ao meio ambiente vai selecionando espécies.

Na vida vegetal como na vida animal, os mais aptos são os que resistem e melhor procriam.

 

A cebola albarrã

15 Outubro 2018

KODAK Digital Still Camera

Encontrei há uns anos um bolbo arrancado pelas obras de alargamento de uma estrada e plantei-o.

O que gosto mais de ver é a força com que lança às alturas uma haste de mais de 1 metro com as suas flores, todos os anos, no início do outono. A rama só aparece depois da floração.

A cebola albarrã é uma planta mediterrânica que sobrevive em solos xistosos, arenosos ou argilosos, graças à robustez do bolbo que, consta, pode chegar a 5 Kg de peso e a 12 anos de longevidade.

Os botânicos chamam-lhe urginea marítima e há quem lhe chame simplesmente albarrana.

Na serra algarvia havia uma utilização medicinal para o bolbo da cebola albarrã: com a água da sua fervura, lavavam virilhas e sovacos inflamados pelo suor.

 

As calcinhas de cuco

18 Maio 2018

foto joao xavier - calcinhas de cuco

Os botânicos chamam-lhes gladíolos itálicos, mas em Portugal eles são conhecidos como calcinhas de cuco…

São gladíolos silvestres que anualmente embelezam os campos mediterrânicos com bonitas e singelas flores cor-de-rosa, quando a primavera aquece os dias.

Preferem solos calcários e são uma ode à alegria e à simplicidade da vida.

Fiz esta foto, um dia destes, no barrocal algarvio.

 

Uma papoila a ver futebol

1 Maio 2018

KODAK Digital Still Camera

Em cada primavera que passa, gosto de fotografar uma papoila e legendar a imagem: «um grito vermelho num campo qualquer».

Este ano, enquanto via futebol distrital no campo da Horta da Areia, em Faro, reparei nesta papoila que cresce e floresce junto a um muro.

Este não é um campo de futebol «qualquer»: foi na Horta da Areia que a minha mãe me viu pela primeira vez arbitrar um jogo.

A vida tem destas coisas. Quando reparei na papoila que cresce e floresce junto ao muro daquele campo de futebol, pensei apenas na expressão «um grito vermelho num campo qualquer»… mas pouco tardou a que a memória me acrescentasse dados e, com ela, flashes diversos de uma história pessoal que sem o futebol teria sido muito menos colorida.

 

A estratégia das cores…

3 Abril 2018

foto joao xavier - malva xis 2018

Tenho uma malva vermelhona que começou a florir ontem, debaixo de uns chuviscos.

Desconfio que ela é benfiquista… e quis assim festejar a subida do Benfica ao 1º lugar da 1ª Liga do futebol profissional português!

O que mais me maravilha nesta planta é a força da vermelhidão das suas flores.

Dizem os cientistas que o objetivo é atrair os insetos que fazem a polinização… mas eu não alinho. As malvas, por exemplo, não precisam de se reproduzir por frutos, pois clonam facilmente.

A alegada estratégia das cores e dos perfumes é, quanto a mim, mais uma interpretação humana do que outra coisa…

Fiquem-se com a teoria para as escolas, que as plantas não precisam de escolas para nada. 😀