A cebola albarrã

15 Outubro 2018

KODAK Digital Still Camera

Encontrei há uns anos um bolbo arrancado pelas obras de alargamento de uma estrada e plantei-o.

O que gosto mais de ver é a força com que lança às alturas uma haste de mais de 1 metro com as suas flores, todos os anos, no início do outono. A rama só aparece depois da floração.

A cebola albarrã é uma planta mediterrânica que sobrevive em solos xistosos, arenosos ou argilosos, graças à robustez do bolbo que, consta, pode chegar a 5 Kg de peso e a 12 anos de longevidade.

Os botânicos chamam-lhe urginea marítima e há quem lhe chame simplesmente albarrana.

Na serra algarvia havia uma utilização medicinal para o bolbo da cebola albarrã: com a água da sua fervura, lavavam virilhas e sovacos inflamados pelo suor.

 

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As calcinhas de cuco

18 Maio 2018

foto joao xavier - calcinhas de cuco

Os botânicos chamam-lhes gladíolos itálicos, mas em Portugal eles são conhecidos como calcinhas de cuco…

São gladíolos silvestres que anualmente embelezam os campos mediterrânicos com bonitas e singelas flores cor-de-rosa, quando a primavera aquece os dias.

Preferem solos calcários e são uma ode à alegria e à simplicidade da vida.

Fiz esta foto, um dia destes, no barrocal algarvio.

 

Uma papoila a ver futebol

1 Maio 2018

KODAK Digital Still Camera

Em cada primavera que passa, gosto de fotografar uma papoila e legendar a imagem: «um grito vermelho num campo qualquer».

Este ano, enquanto via futebol distrital no campo da Horta da Areia, em Faro, reparei nesta papoila que cresce e floresce junto a um muro.

Este não é um campo de futebol «qualquer»: foi na Horta da Areia que a minha mãe me viu pela primeira vez arbitrar um jogo.

A vida tem destas coisas. Quando reparei na papoila que cresce e floresce junto ao muro daquele campo de futebol, pensei apenas na expressão «um grito vermelho num campo qualquer»… mas pouco tardou a que a memória me acrescentasse dados e, com ela, flashes diversos de uma história pessoal que sem o futebol teria sido muito menos colorida.

 

A estratégia das cores…

3 Abril 2018

foto joao xavier - malva xis 2018

Tenho uma malva vermelhona que começou a florir ontem, debaixo de uns chuviscos.

Desconfio que ela é benfiquista… e quis assim festejar a subida do Benfica ao 1º lugar da 1ª Liga do futebol profissional português!

O que mais me maravilha nesta planta é a força da vermelhidão das suas flores.

Dizem os cientistas que o objetivo é atrair os insetos que fazem a polinização… mas eu não alinho. As malvas, por exemplo, não precisam de se reproduzir por frutos, pois clonam facilmente.

A alegada estratégia das cores e dos perfumes é, quanto a mim, mais uma interpretação humana do que outra coisa…

Fiquem-se com a teoria para as escolas, que as plantas não precisam de escolas para nada. 😀

 

O sobreiro assobiador

22 Março 2018

foto hugo ribeiro - sobreiro assobiador

A EPA, uma fundação sedeada em países do leste europeu, escolheu como árvore europeia do ano o sobreiro mais antigo do mundo.

O sobreiro assobiador, que assobia fortemente quando o vento passa pela sua enorme ramada, tem 234 anos de idade, já vai nos 16 metros de altura e situa-se em Águas de Moura, perto de Palmela.

A perigosa seiva da cana do mudo

16 Março 2018

foto jorge burgos - dieffenbachia

Esta planta está a ser muito vendida para decoração de interiores e chama-se Dieffenbachia, em homenagem ao médico e naturalista alemão Ernst Dieffenbach (1811 / 1855).

No Brasil, é conhecida como cana do mudo.

É uma planta originária da floresta amazónica e os índios usam a sua seiva venenosa para envenenar as setas com que caçam. Transportada para a Europa, é muito usada em casas e escritórios, por ser vistosa e purificar o ar, mas a ignorância pode ser fatal.

Ninguém lhe deve tocar com as mãos! A cana do mudo tem uma seiva muito tóxica que pode provocar forte inchaço da garganta, com perda de voz e grande risco de bloqueio das vias respiratórias.

Não deve estar acessível ao contacto de crianças, obviamente, tal como muitas outras plantas que não são comestíveis.

A Crassula ovata

3 Janeiro 2018

KODAK Digital Still Camera

Os botânicos chamam-lhe Crassula ovata. Os chineses chamam-lhe Planta do dinheiro. Os americanos chamam-lhe Planta do dólar. Outros chamam-lhe Bálsamo de jardim, Planta jade e Árvore de krassula.

É realmente uma planta invulgar, com uma resistência pouco habitual e uma longevidade espantosa: chega facilmente aos 100 ou aos 170 anos de vida!!!

Eu tenho uma com mais de 40 anos de idade!

Originária da África do Sul, onde ainda é nativa, esta planta suculenta que pode atingir cerca de 1,5 m de altura pertence à família das crassuláceas, não exige (nem quer…) muita água e é altamente resistente a doenças.

Floresce no inverno ou na primavera (no Algarve, está agora em flor) e até neste particular é especial: só floresce pela primeira vez depois de ter 10 anos de idade!

Foi trazida para a Europa só nos finais do séc. XVII, elimina gases tóxicos da atmosfera e os adeptos da filosofia Feng Shui consideram que ela atrai riqueza e prosperidade e introduz energia positiva em quem cuida dela.

Rita Redshoes dá música às plantas

12 Dezembro 2017

plantas na notícias magazine

A música «Plantasia» foi composta por Mort Garson em 1976 para agradar às plantas e a popular cantora portuguesa Rita Redshoes usa-a para alegrar a vida das suas próprias plantas.

A revelação foi feita à revista Notícias Magazine.

Rita Redshoes gosta de passar «momentos zen» a cuidar da sua horta e do seu jardim.

«Nasci no campo.» – conta ela. «Estar com a natureza permite-me entrar num modo zen, em que só estou a regar, plantar, arrancar ervas daninhas…»

Tenho que ir plantar alfarrobeiras

20 Outubro 2017

foto joao xavier - alfarrobeira nova

Em janeiro deste ano, Francisco Amaral fez publicar no Jornal do Algarve um esclarecimento sobre o adiamento da conclusão de uma sessão da Assembleia Municipal de Castro Marim.

Segundo aquele autarca, o líder socialista da assembleia negou-lhe a hipótese de a sessão decorrer no dia seguinte, afirmando-lhe: «Não, porque tenho que ir plantar alfarrobeiras (…)»

Queixando-se ainda de outros problemas, acabou por escrever que as referidas situações «terão de ser dirimidas nos tribunais».

Passados 9 meses, houve eleições e a coligação liderada por Fr. Amaral venceu, mas sem maioria absoluta.

Para garantir uma estabilidade mínima para o novo mandato, o velho autarca quer agora fazer uma aliança com o «inimigo de estimação» (se não houver mais alfarrobeiras para plantar…)…

Interessante o modo como a simples plantação de alfarrobeiras pode interferir com as políticas (ou as politiquices) locais!

A alfarrobeira, note-se, é uma das grandes riquezas do Algarve: com as alfarrobas, as indústrias alimentares e farmacêuticas fabricam milhentos produtos que fazem parte do nosso quotidiano…

Um livro sobre a azinheira monumental de Fátima

19 Julho 2017

capa do livro os 3 pastorinhos e a azinheira

Há 100 anos, uma pequena árvore esteve no centro das atenções, na Cova da Iria, protagonizando a localização das aparições de Nossa Senhora de Fátima a 3 pastorinhos.

A azinheira monumental, hoje mantida no Santuário de Fátima, é um ponto essencial de referência para muitas manifestações de fé.

Para dar relevo a este simples pormenor, Pedro Boléo Tomé escreveu o livro «Os 3 pastorinhos de Fátima e a azinheira», editado pela Aletheia, no âmbito das comemorações dos 100 anos das aparições.

O livro infantil, com ilustrações de Sónia Matos, explica em linguagem muito clara o protagonismo da azinheira a que alguns chamavam carrasqueira.

A azinheira cresceu e é hoje uma grande árvore. Uma árvore especial, com uma história especial.