Archive for the ‘Árvores’ Category

Tenho que ir plantar alfarrobeiras

20 Outubro 2017

foto joao xavier - alfarrobeira nova

Em janeiro deste ano, Francisco Amaral fez publicar no Jornal do Algarve um esclarecimento sobre o adiamento da conclusão de uma sessão da Assembleia Municipal de Castro Marim.

Segundo aquele autarca, o líder socialista da assembleia negou-lhe a hipótese de a sessão decorrer no dia seguinte, afirmando-lhe: «Não, porque tenho que ir plantar alfarrobeiras (…)»

Queixando-se ainda de outros problemas, acabou por escrever que as referidas situações «terão de ser dirimidas nos tribunais».

Passados 9 meses, houve eleições e a coligação liderada por Fr. Amaral venceu, mas sem maioria absoluta.

Para garantir uma estabilidade mínima para o novo mandato, o velho autarca quer agora fazer uma aliança com o «inimigo de estimação» (se não houver mais alfarrobeiras para plantar…)…

Interessante o modo como a simples plantação de alfarrobeiras pode interferir com as políticas (ou as politiquices) locais!

A alfarrobeira, note-se, é uma das grandes riquezas do Algarve: com as alfarrobas, as indústrias alimentares e farmacêuticas fabricam milhentos produtos que fazem parte do nosso quotidiano…

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Um livro sobre a azinheira monumental de Fátima

19 Julho 2017

capa do livro os 3 pastorinhos e a azinheira

Há 100 anos, uma pequena árvore esteve no centro das atenções, na Cova da Iria, protagonizando a localização das aparições de Nossa Senhora de Fátima a 3 pastorinhos.

A azinheira monumental, hoje mantida no Santuário de Fátima, é um ponto essencial de referência para muitas manifestações de fé.

Para dar relevo a este simples pormenor, Pedro Boléo Tomé escreveu o livro «Os 3 pastorinhos de Fátima e a azinheira», editado pela Aletheia, no âmbito das comemorações dos 100 anos das aparições.

O livro infantil, com ilustrações de Sónia Matos, explica em linguagem muito clara o protagonismo da azinheira a que alguns chamavam carrasqueira.

A azinheira cresceu e é hoje uma grande árvore. Uma árvore especial, com uma história especial.

 

Uma figueira na urbanização das laranjeiras

12 Julho 2017

KODAK Digital Still Camera

As plantas não se deixam esquecer nas cidades, ao contrário do que pensam os engenheiros do cimento e do alcatrão.

Em alguns casos pontuais de cidades abandonadas, quem toma conta dos espaços são as árvores (veja-se o exemplo de Chernobyl).

Na banalidade das nossas cidades, há 3 maneiras de encararmos as plantas em espaços urbanos:

  1. Construímos jardins e parques com relvados, plantamos árvores «de sombra» nas ruas e ornamentamos canteiros com flores coloridas;
  2. Plantamos plantas diversas em vasos, nas varandas;
  3. Não conseguimos controlar as plantas «daninhas» que aproveitam os mais ínfimos espaços para crescer, como por exemplo entre as pedras da calçada.

A imagem que hoje trago é uma foto que fiz em Faro, na Urbanização das Laranjeiras.

Indiferente à toponímia, uma figueira escolheu para nascer o escoador da varanda de um apartamento!…

O futuro não lhe é muito promissor, mas os humanos criaram um provérbio que diz «enquanto o pau vai e vem, folgam as costas» e «quem nasceu para lagarto não chega a jacaré».

Pode ser, contudo, que uma alma caridosa se lembre de retirar dali a tão pequenina figueira e lhe dê terra e espaço para ter uma vida folgada e longa…

A simbologia do pinheiro

3 Fevereiro 2017

foto-joao-xavier-pinheiro-na-aldeia-das-acoteias

O pinheiro é uma árvore importante para a economia, mas também é visto como uma árvore simbólica da felicidade humana!

Em diversos documentos encontramos o pinheiro como símbolo da imortalidade, no extremo-Oriente, devido à sua folhagem persistente e também devido à incorruptibilidade da sua resina.

Chegando facilmente aos 250 anos de vida, o pinheiro é igualmente considerado um símbolo de longevidade, vigor e resistência.

A força maior da simbologia do pinheiro bravo é como «árvore do Natal». Consta que essa tradição ganhou popularidade no séc. XVI, pela forma triangular que consubstancia o Santíssima Trindade, mas também pela beleza estética da sua silhueta e pela perenidade do seu verde.

O pinheiro não é apenas uma árvore de crescimento rápido, com umas folhas esquisitas e agrestes. As crenças humanas elevaram-na a um patamar superior.

O sobreiro mais velho da Europa

6 Dezembro 2016

foto-publico-o-sobreiro-mais-velho-do-mundo

Em Águas de Moura, perto da Marateca (concelho de Palmela), vai ser finalmente valorizado o contexto do sobreiro mais velho da Europa.
Com 233 anos de idade e 16 metros de altura, o pinheiro monumental de Águas de Moura produziu 1,2 toneladas de cortiça em 1991!…
É muito importante preservar e integrar as árvores mais velhas e monumentais: elas são património que cada geração deve passar às gerações seguintes.
A beleza e a imponência do sobreiro mais velho da Europa tem passado despercebida a muita gente que viaja nas redondezas.

Os figos…

29 Junho 2016

foto joao xavier - figos colhoes de burro

Tempo de verão é tempo de figos.
Saborosos e nutritivos, os figos fornecem-nos muitos antioxidantes, cálcio, cobre, manganês, ferro, fósforo, potássio, selénio, zinco e vitaminas A, E e K.
Estão longe de ser, portanto, apenas uma delícia para o paladar.
Comer figos é proteger a nossa saúde contra a diabetes, o cancro, as doenças degenerativas e as infeções.
Não é de admirar que os gregos tenham desde a antiguidade uma grande predileção pelos figos, considerando-os de origem divina (diziam que a deusa da agricultura criou as figueiras para agradecer a hospitalidade de Pítalo).
Também não é por acaso que a figueira foi uma das primeiras plantas a ser cultivada pelo Homem (pelo menos desde a Idade da Pedra…).
Os nossos antepassados não se limitavam a comer os figos frescos, pois cuidavam de os secar ao sol e manter cuidadosamente em caixas de madeira, para os comerem ao longo do inverno (os figos secos são muito calóricos).

O carvalho monumental de Monchique

9 Junho 2016

foto joao xavier - carvalho monumental de monchique

A propósito da Quinta do Carvalheiro, em Monchique, referi recentemente o carvalho centenário monumental daquela vila serrana algarvia.
Os carvalhos, outrora vulgares nos campos do sul de Portugal, já só prosam, no Algarve, apenas na Serra de Monchique, mas aquela variedade é mesmo considerada muito rara em Portugal.
Classificado como árvore de interesse público em 1993, este carvalho de Monchique é um quercus canariensis willdenow, com cerca de 160 anos de idade!
Mede na base mais de 9 metros de perímetro e a sua copa tem um diâmetro superior a 25 metros.
É fácil de observar e fotografar: está situado junto a uma berma da estrada entre Monchique e Alferce.

A Quinta do Carvalheiro

6 Junho 2016

foto joao xavier - quinta do carvalheiro

Em Monchique, à beirinha de um carvalho centenário monumental, a Quinta do Carvalheiro tem à entrada um belo painel de ajulezos com a representação de um velho carvalho.
Os carvalhos, outrora vulgares nos campos do sul de Portugal, já só prosam, no Algarve, apenas na Serra de Monchique.
O exemplar classificado como árvore de interesse público em 1993, é um quercus canariensis willdenow.

Que árvore quer ser depois de morrer?

4 Maio 2016

foto DN - urna bios para renascer numa árvore

Que árvore quer ser depois de morrer?
A ideia de colocar as cinzas humanas dentro de uma «urna» biodegradável com uma semente foi trazida para Portugal pela Sigma Pack.
Uma pessoa pode, portanto, dar origem a uma árvore!
Na prática, o que acontece é que as cinzas vão alimentar uma árvore desde a sua origem, juntamente com terra e turfa. Os familiares poderão plantá-la onde quiserem (não há legislação que se oponha) e terão na árvore um símbolo vivo do ente querido falecido.
Uma ideia criativa para dar vida aos nossos restos mortais…

A figueira na sabedoria milenar

21 Março 2016

Foto João Xavier - Figueira em Salir

«Fenícios, egípcios, gregos, romanos veneravam a figueira e o figo. No Império Romano, era sagrado: na mitologia, a loba que alimentou Rómulo e Remo, fundadores de Roma, descansou sob uma figueira. É fruto sagrado para os judeus, faz parte dos 7 alimentos que crescem na Terra Prometida.» – escreveu em junho de 2011 no Correio da Manhã João Palma, Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público.
A viagem aos tempos da antiguidade deveu-se ao facto de o então Presidente da República ter oferecido figos na entrada de um almoço com as altas individualidades da Justiça.
A figueira é um símbolo que vai muito além da simplicidade de uma árvore de folha caduca que dá uns frutos/flores superdeliciosos.
As plantas são assim. Transcendem-nos.