Archive for the ‘Toponímia’ Category

Uma figueira na urbanização das laranjeiras

12 Julho 2017

KODAK Digital Still Camera

As plantas não se deixam esquecer nas cidades, ao contrário do que pensam os engenheiros do cimento e do alcatrão.

Em alguns casos pontuais de cidades abandonadas, quem toma conta dos espaços são as árvores (veja-se o exemplo de Chernobyl).

Na banalidade das nossas cidades, há 3 maneiras de encararmos as plantas em espaços urbanos:

  1. Construímos jardins e parques com relvados, plantamos árvores «de sombra» nas ruas e ornamentamos canteiros com flores coloridas;
  2. Plantamos plantas diversas em vasos, nas varandas;
  3. Não conseguimos controlar as plantas «daninhas» que aproveitam os mais ínfimos espaços para crescer, como por exemplo entre as pedras da calçada.

A imagem que hoje trago é uma foto que fiz em Faro, na Urbanização das Laranjeiras.

Indiferente à toponímia, uma figueira escolheu para nascer o escoador da varanda de um apartamento!…

O futuro não lhe é muito promissor, mas os humanos criaram um provérbio que diz «enquanto o pau vai e vem, folgam as costas» e «quem nasceu para lagarto não chega a jacaré».

Pode ser, contudo, que uma alma caridosa se lembre de retirar dali a tão pequenina figueira e lhe dê terra e espaço para ter uma vida folgada e longa…

A Rua do Bosque

30 Janeiro 2013

Foto João Xavier - Rua do bosque

O bosque marcava no imaginário infantil e nos quotidianos ancestrais um conjunto de medos e superstições que alimentavam muitas estórias.
Com o avanço das redes viárias e do crescimento populacional, os bosques foram sendo arrasados, perdendo-se muita da biodiversidade que sustentava a saúde do planeta.
Os bosques são hoje em dia espaços controlados pelos humanos ou, simplesmente, recordações de outros tempos.
O exemplo que aqui trago hoje é de um bosque recordado na toponímia dos Pinheiros Altos, na Quinta do Lago, em plena zona turística de luxo no Algarve. A rua do bosque…
Ah! E o que é um bosque?
Um bosque é um arvoredo denso de não muito grande extensão.

As casas e as plantas

18 Outubro 2012

Gostamos muito de identificar os nossos espaços referenciando as plantas que nos atraem.

Numa casa, apreciamos quase sempre o seu interior e o seu conforto. Mas é no exterior que nos equilibramos emocionalmente, se soubermos gerir a natureza envolvente.

Muitas vezes, as plantas que referenciam as nossas casas já existiam antes de lá vivermos. E rebuscamos os nomes das plantas como uma homenagem.

Outras vezes, somos nós a plantar os seres verdes que enquadram o espaço exterior.

Sem árvores e sem arbustos, o espaço envolvente de uma casa é quase sempre um espaço sem alma.

Nas plantas, na verdura da sua vida e na maravilha do colorido das suas flores, simbolizamos sempre alguma beleza que nos transcende, mesmo que essa beleza seja venenosa, como é o caso dos loendros…

A Alface do Algarve

27 Dezembro 2011

Povoações com nome de plantas não são geralmente muito famosas mas mantêm, ao menos, a autenticidade das origens.

No concelho de Faro (capital do Algarve), existe uma povoação com o nome de “Alface”, uma planta herbácea muito utilizada crua na alimentação humana.

Para ir até à Alface, utilize a estrada que liga Estoi à Bordeira, na zona rural do concelho de Faro.

A vila Flor da Rosa

15 Dezembro 2010

Em Tavira (Algarve), resiste uma placa de pedra a indicar um curioso nome: “Vila Flor da Rosa”.

As plantas sempre serviram para ornamentar o quotidiano e para perfumar a vida.

Merecem, por isso, ficar com registos em pedra…

A afamada mundialização da vida cosmopolita e stressada fica à porta. A internacionalizada moda de comprar tudo feito manda só do lado de fora.

Sítio de plantas é sítio de natureza, onde se vive ao ritmo do sossego e da harmonia.

Figueirais com limões…

29 Novembro 2010

O figo era no Algarve um produto de exportação.

O primeiro Presidente da República algarvio (Manuel Teixeira Gomes) começou por orientar a sua vida profissional exatamente nesse comércio que tantas famílias algarvias enriqueceu.

Com o advento do turismo na década 60 do séc. XX, o interior foi-se desertificando e o litoral atirou-se suicidariamente às ocupações da hotelaria, da restauração e do comércio ativado pelas avalanches de turistas.

Os figueirais foram abandonados. E a produção de figo desceu a pique no Algarve.

Uma povoação cresceu no Algarve entre figueirais e ganhou o seu nome, pertinho da ribeira do Beliche, a sul do Azinhal.

Hoje em dia, paradoxalmente, nos Figueirais os pomares que encontramos são de citrinos. E a própria  Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve fez recentemente, nos Figueirais, uma pesquisa em… limoeiros.

A vida mudou mas o nome ficou.

A casa fofa

13 Julho 2010

Algures, no Algarve, alguém construíu uma casa com toda a ternura do mundo.

Para lhe dar um nome, mandou fazer um azulejo pequeno e mimoso onde não podiam faltar flores. 19. Azuis e com umas 114 folhas. Transformadas em moldura de um carinho incomensurável.

É a casa fofa.

O brasão de Midões

11 Março 2010

O brasão de Midões, pretendendo representar as atividades económicas mais tradicionais desta freguesia de Tábua, tem como elemento central uma oliveira a verde, frutada a negro.

Fica assim representada a olivicultura, fundamental na economia daquela zona durante séculos.

Esta bonita heráldica refere ainda o ovinicultura e, nas burelas ondadas, os rios Mondego, Seia e Cavalos, que quase fazem da freguesia de Midões uma ilha.

A Rua da Parreira

16 Fevereiro 2010

É muito intrigante a relação do Homem com o vinho.

Quando encontramos campos inteiros cultivados com vinha, não é por causa do consumo direto de uvas: muito mais importante, cultural e economicamente, é a produção de vinhos.

Portugal tem vastas extensões de terrenos ocupados com videiras, para a produção de vinhos. São famosos os vinhos do Douro, os vinhos do Dão, os vinhos do Alentejo,…

Esta placa toponímica é de Alvito (Alentejo).

A propósito, apetece-me aqui rebuscar a teoria de Eubulo, um filósofo grego milenar:

O 1º copo serve para dar saúde;

O 2º copo é para excitar;

O 3º copo é para dar sono;

O 4º copo já nos tira o autocontrole;

O 5º copo mete-nos em sarrabulhos;

O 6º copo faz-nos palhaços;

O 7º copo deixa-nos os olhos roxos;

O 8º copo dá para a polícia ser chamada;

O 9º copo é para acabar com o fígado;

O 10º copo deixa-nos loucos.

Uma interessante síntese em que não pensamos quando olhamos as parreiras!…

(Do site http://marafado.wordpress.com )

 

O Monte das Oliveiras

12 Fevereiro 2010

Em Vale Judeu (Loulé, Algarve), o Monte das Oliveiras ostenta uma bela placa toponímica dedicada às árvores mais antigas que possui.

O bom gosto e o respeito pelo património natural do sítio que se escolhe para viver.