Archive for the ‘Flores’ Category

Os charutos do rei

30 Novembro 2012

Foto João Xavier - Charutos do rei Xis

Diversas pessoas me têm questionado sobre os ‘charutos do rei’ que apresentei recentemente.

Conheci esta planta quando era criança, pois eram diversos os exemplares (altos e vigorosos) que cresciam num quintal, na Pontinha, em Faro (capital do Algarve).

Hoje apresento uma foto das flores (cápsulas biloculares) de um exemplar que eu tive em 2010.

Os charutos do rei são resistentes arbustos espontâneos, mas possuem propriedades farmacológicas e tóxicas e são usadas pela indústria para a fabricação de inseticidas naturais.

O nome deriva da nicotina que contêm (uma parte apenas dos venenos que podem matar uma pessoa que ingira as suas folhas): as folhas eram usadas pelos índios para fumarem.Há casos de mortes decorrentes do seu consumo alimentar, que começa por provocar distúrbios gástricos mas em poucos minutos pode desencadear hiperatividade, convulsões, paralisia, coma e paragem cardíaca. Tudo decorrente da anabisina, um alcalóide terrivelmente tóxico.

Os botânicos conhecem os charutos do rei como nicotiana glauca graham e dizem que eles são originários da Argentina, da Bolívia e do Paraguai.Os mexicanos chamam-lhes tabaco silvestre.

Novos charutos do rei

9 Novembro 2012

Uma experiência que aconselho é a de enriquecer a terra dos vasos com recargas vindas de quintais e terras diferentes.

Foi na sequência de uma destas recargas que me nasceram num vaso 3 plantas de “charutos do rei”.

Mudei os planos que tinha para aquele vaso e deixei crescer as jovens plantas, que têm prosado alegremente…

Não devemos renegar constantemente as dádivas do destino!…

A alternadeira

13 Outubro 2012

Entre as plantas com que vou mudando o meu stock, estou a agora a apreciar um pequeno arbusto tropical perene de origem sulamericana chamado “alternadeira”.

Os botânicos chamam-lhe “alternanthera”, mas no Brasil o povo conhece-a por “apaga-fogo” e “perpétua-do-mato”.

Chega aos 5 anos, é rasteira e é usada pela indústria farmacêutica, que lhe sintetiza a terramicina.

Está a florir

21 Agosto 2012

Marília da Rocha tem um blog dedicado ao bucolismo, com textos que não são para lermos só uma vez…

Para ir até lá, deixo aqui uma ilustração a um post recente, uma imagem muito bela… com flores.

Vá até lá: http://anarchismm.wordpress.com .

Lírios de Sophia

6 Agosto 2012

Sonhei com lúcidos delírios

À luz de um puro amanhecer

Numa planície onde crescem lírios

E há regatos cantantes a correr.

Encontrei ao acaso esta bela quadra de Sophia de Mello Breyner Andresen, num livro escolar do 8º ano.

Servia para exemplificar algumas noções de versificação (neste caso, a rima cruzada ou alternada).

Mas eu, farto de tanta escolarização da vida e tanta formatação da poesia, pus-me de repente a lembrar uns lírios que plantei há já muitos anos junto a um regato.

A poesia da vida, a singeleza das flores e a maravilha da natureza valem muito mais que todas as teorias juntas.

Os meus lírios, esses, alheios a tanta formatação, lá vão anualmente florindo e embelezando a paisagem sem precisarem de métrica nem rima.

Malva inseticida

30 Julho 2012

Com os dias quentes, aumenta em algumas zonas o aparecimento de insetos poucos desejados: mosquitos e melgas, por exemplo, picam-nos sem dó, provocando-nos babas que, com o respetivo prurido, nos retiram o prazer mais completo que gostaríamos de ter durante momentos de lazer.

 Há quem se besunte com cremes repelentes.

Se não quer ter mosquitos e melgas no seu quarto, coloque perto das janelas ou portas (do lado de fora) vasos com malva cheirosa.

Esta planta de folhas perfumadas é um repelente natural de insetos…

O meu girassol 2012

8 Julho 2012

Uma simpática algarvia de Bela Mandil ofereceu-me há um ano 3 sementes de um girassol enorme que tinha perto de casa.

Eis o girassol de uma dessas sementes.

No milagre da vida, a mãe Natureza dá-nos belezas que ninguém consegue imitar. E numa planta recordamos sempre a pessoa que a ofereceu, nem que seja na forma mágica de uma semente que guarda o futuro…

Açucenas primaveris

8 Junho 2012

O fim da primavera traz-nos a beleza e o perfume das açucenas.

Resistindo ano após ano nos bolbos, estas plantas tratam de nos alegrar os canteiros em maio e junho (pelo menos é essa a experiência que eu tenho no Algarve).

As açucenas são plantas liliáceas que parecem modestas até à altura da floração, quando fazem despontar um alto escapo que se ornamenta de um cacho de flores exuberantes.

Desde a Idade Média, a açucena é vista como um símbolo da pureza e da vida universal, protetora do homem.

Duas lendas atribuem a origem da açucena a episódios diferentes: uma diz que a primeira açucena nasceu das lágrimas que Eva chorou quando foi expulsa do paraíso; outra, da mitologia grega, diz que a primeira açucena nasceu do leite que pingou do peito da deusa Hera.

Os meus muscaris azuis

23 Maio 2012

Os muscaris que tenho num vaso não chegaram a secar no verão passado. Deixei os bolbos na terra e eles presentearam-me com flores lindas na primavera de 2012.

Os muscaris (a que no campo chamam jacintos dos prados…) são plantas da família das liliáceas, com a versão original espalhada pela Europa mediterrânica; mas estes muscaris azuis são, ao que consta, originários da Arménia.

O perfume gostoso das madressilvas

10 Maio 2012

Hoje, a prosa e a foto não são minhas. Só as madressilvas.

Li este texto da Luísa no blog “À esquina da tecla” (veja o link aqui ao lado…) e senti no ar um perfume gostoso de madressilvas…

“Hoje ainda é de dia. Caminho para poente e já o sol se esconde atrás do horizonte. Hoje caminho sem agasalho. No céu nuvens de algodão refletem ouro. Os melros voam apressados de galho em galho. Por vezes rasando a terra. Ouço-lhes o chamamento. O deles e o de outras aves que não vejo e que não sei reconhecer pelo canto. Na linha de caminho de ferro passa um comboio. Não tarda outro. E outro. E outro ainda. Para cá. Para lá. Cruzaram numa estação próxima. Para cá. Para lá. Caminho e sinto o perfume de uma porção de madressilva que cobre a vedação de uma casa, rente à estrada. Os farrapos de nuvem transfiguram-se e ficam agora rosados. Chego ao fim da rua. Meia volta e caminho para leste. Caminho quando já se acenderam as luzes dos postes de iluminação pública. A cada um que passo, caminho sobre a minha sombra que cresce no asfalto Arrastam-se os últimos minutos do dia. Calaram-se as aves. Cantam os grilos. Por instantes são só eles. Até as rodas dos carros deram descanso à estrada nacional e calaram o ruído de fundo que eu já nem ouvia. Só por breves instantes.”


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