Archive for the ‘Poesia’ Category

A árvore dos sonhos

8 Setembro 2012

Sabia que em Alte há uma turma que se chama “Turma dos Marafadinhos”?

É verdade! E este ano a Turma dos Marafadinhos (uma turma do 2º ano do ensino básico em 2011/12) ganhou um concurso da Junta de Freguesia de Alte e do Polo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte, para atribuir um nome à referida escultura, que é da autoria de Francisco Silva e Helder Silva.

Quando passar por Alte, procure a nova escultura que embeleza com pedras locais um espaço público da aldeia mais típica do Algarve e não se esqueça que ela, para o imaginário infantil, é “a árvore dos sonhos”. A árvore dos sonhos dos marafadinhos!

(in http://marafado.worpdress.com )

Está a florir

21 Agosto 2012

Marília da Rocha tem um blog dedicado ao bucolismo, com textos que não são para lermos só uma vez…

Para ir até lá, deixo aqui uma ilustração a um post recente, uma imagem muito bela… com flores.

Vá até lá: http://anarchismm.wordpress.com .

Lírios de Sophia

6 Agosto 2012

Sonhei com lúcidos delírios

À luz de um puro amanhecer

Numa planície onde crescem lírios

E há regatos cantantes a correr.

Encontrei ao acaso esta bela quadra de Sophia de Mello Breyner Andresen, num livro escolar do 8º ano.

Servia para exemplificar algumas noções de versificação (neste caso, a rima cruzada ou alternada).

Mas eu, farto de tanta escolarização da vida e tanta formatação da poesia, pus-me de repente a lembrar uns lírios que plantei há já muitos anos junto a um regato.

A poesia da vida, a singeleza das flores e a maravilha da natureza valem muito mais que todas as teorias juntas.

Os meus lírios, esses, alheios a tanta formatação, lá vão anualmente florindo e embelezando a paisagem sem precisarem de métrica nem rima.

O perfume gostoso das madressilvas

10 Maio 2012

Hoje, a prosa e a foto não são minhas. Só as madressilvas.

Li este texto da Luísa no blog “À esquina da tecla” (veja o link aqui ao lado…) e senti no ar um perfume gostoso de madressilvas…

“Hoje ainda é de dia. Caminho para poente e já o sol se esconde atrás do horizonte. Hoje caminho sem agasalho. No céu nuvens de algodão refletem ouro. Os melros voam apressados de galho em galho. Por vezes rasando a terra. Ouço-lhes o chamamento. O deles e o de outras aves que não vejo e que não sei reconhecer pelo canto. Na linha de caminho de ferro passa um comboio. Não tarda outro. E outro. E outro ainda. Para cá. Para lá. Cruzaram numa estação próxima. Para cá. Para lá. Caminho e sinto o perfume de uma porção de madressilva que cobre a vedação de uma casa, rente à estrada. Os farrapos de nuvem transfiguram-se e ficam agora rosados. Chego ao fim da rua. Meia volta e caminho para leste. Caminho quando já se acenderam as luzes dos postes de iluminação pública. A cada um que passo, caminho sobre a minha sombra que cresce no asfalto Arrastam-se os últimos minutos do dia. Calaram-se as aves. Cantam os grilos. Por instantes são só eles. Até as rodas dos carros deram descanso à estrada nacional e calaram o ruído de fundo que eu já nem ouvia. Só por breves instantes.”

Viver com flores

20 Agosto 2011

Quando eu flor

Quando tu flores

Quando todo mundo flor

Nós flores seremos

As escolas e as empresas flores serão

E, então…

O nosso mundo florescerá.

É assim que Sandra Braconnot vê o mundo como se olhasse para as plantas.

Podemos visitá-la em www.portaldasflores.org e www.sandrabraconnot.com .

Escreve-me um poema…

30 Maio 2011

A Luísa, no seu blog algarvio À esquina da tecla, escreveu este poema lindo, lindo.

Eu ilustro-o.

«Escreve-me um poema. Escreve-o no céu, no mar, na terra.

 Escreve-me um poema sem te importares com a rima.

 Mas escreve-o baixinho para que só eu

 o possa ouvir.

 Escreve-me um poema no ramo da árvore

 e em cada folha que nele cresce.

 Escreve-me um poema que seja diferente.

 Pinta-lhe as palavras de uma cor só tua para que só eu

 o possa dizer.

 Escreve-me um poema mas troca-lhe os sentidos,

 que sentidos certos já não são poema.»

 

Crimes solitários

17 Maio 2011

Pedro Rosado é um jornalista lisboeta de 56 anos. “Crimes Solitários” foi o seu primeiro livro de ficção, editado em 2004.

A ação decorre no Alentejo, enredando-se em perfis de solidão e segredo mal guardado.

Talvez a querer ilustrar as raízes subterrâneas do poder e dos desejos, para a capa foi escolhida a imagem de uma com umas raízes descomunais.

Uma canção cigana é citada a dada altura:

Llora flecha sin blanco,

la tarde sin mañana,

y el primer pájaro muerto

sobre la rama.”…

As nossas raízes nunca serão completamente descobertas.

Flor de branco

14 Maio 2011

Tenho na minha secretária um calendário com belas pinturas.

Na folha de maio, há uma imagem que me deixa repetidamente contemplativo: um quadro de Thomas Kahlau, intitulado “Flor de branco”.

Palavras para quê?

Jaime Cortesão e o feitiço do Buçaco

13 Maio 2011

As florestas podem ser criadas pela Natureza sem intervenção do Homem, mas também podem ser criadas pela nossa iniciativa.

Muitas das florestas que hoje admiramos em Portugal foram plantadas por gente que não fechava o horizonte nos seus dias e sabia que aos nossos descendentes podemos e devemos deixar património natural.

Jaime Cortesão, grande médico e escritor português nascido em 1884, dizia que a floresta do Buçaco tinha um feitiço.

Escreveu um dia:

Árvores, árvores gigantescas. Um oceano de árvores e sombras. Frondes sobre frondes que rumorejam como as vagas do mar ouvidas na distância. Um sopro sagrado move as grandes copas, varre e unifica  a selva. E no silêncio do ser, para lá das formas e da vida, ouve-se o apelo aliciante do além.”

Não passe sem visitar os 150 hectares da floresta do Buçaco. Plantada por monges seiscentistas, ela é mais do que um somatório de abetos, sequóias, freixos, cedros e outras árvores centenárias.

A folha seca de António Ramos Rosa

11 Abril 2011

António Ramos Rosa é um notável poeta farense.

Nasceu em 1924 e em Faro se manteve até aos 38 anos. Depois, rumou à capital do império e por ali resiste, escrevendo com uma criatividade simples e saborosa.

Para a capa da antologia poética deste algarvio marafado que quis ser empregado de escritório mas não aguentou o apagamento e o “cansaço”, o Círculo de Leitores escolheu uma folha, uma simples folha seca de uma árvore qualquer.

Em qualquer parte um homem

discretamente morre.

Ergueu uma flor.

Levantou uma cidade. – escreveu António Ramos Rosa em 1958, em “O grito claro”.


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